A língua que me trouxe até a astrologia
Ler no original, não em tradução
Foi a formação em Letras que me levou ao sânscrito, e foi estudando a língua que a astrologia védica apareceu. Não como assunto novo: eu já estava dentro dela sem saber, porque os textos que eu usava pra treinar leitura eram os textos-base do jyotiṣa.
Passei a ler no original e a traduzir verso a verso o Bṛhat Parāśara Horā Śāstra, atribuído a Parāśara e considerado a raiz da astrologia védica; o Bṛhat Jātaka, de Varāhamihira, do século VI; o Sārāvalī, de Kalyāṇavarman; e o Phaladīpikā, de Mantreśvara.
Traduzir muda o que você entende. Um verso que em português vira uma frase de efeito, no original costuma ser uma instrução técnica. É por isso que aqui tudo está ligado: o jeito como eu dou aula de yoga, como eu leio um mapa e como eu ensino a língua vem todo do mesmo lugar.
Sânscrito é uma língua construída. Cada som tem seu lugar na boca, e a gramática de Pāṇini descreveu isso em cerca de quatro mil regras, no século IV antes da era comum, mil e tantos anos antes de alguém na Europa escrever uma gramática parecida.
Workshop, feito pra acontecer dentro de um espaço de yoga. O foco são os nomes das posturas e os mantras em transliteração: o que cada nome quer dizer, como pronunciar sem tropeçar e como levar isso pra dentro da sua aula.
O alfabeto do começo: a ordem dos sons e por que ela é assim, como se escreve, como se translitera, como se pronuncia e como se lê. A gente treina com palavras do universo do jyotiṣa e com mantras. Você sai lendo devanāgarī.
A continuação natural de quem já lê o alfabeto: casos, sandhi, a lógica de Pāṇini e a leitura de textos no original, verso a verso. É aqui que a língua deixa de ser som e vira sentido.
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Eu escrevo sobre a língua, sobre os textos e sobre o que aparece nas traduções. É de graça, chega por e-mail e é também por ali que eu anuncio as turmas novas.
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